Depois do divórcio, o meu apartamento tinha-se tornado demasiado silencioso. Uma colega sugeriu que adotasse um gato, mas o meu orçamento só permitia cuidar de um.
No abrigo conheci Max e Léo, dois irmãos inseparáveis.
Escolhi Max.
Quando lhe peguei ao colo, porém, Léo correu imediatamente para ele e agarrou-o com as duas patas, como se percebesse que estavam prestes a separá-los.
Max encostou o focinho ao irmão.
Fiquei sem conseguir dizer nada.
Depois do divórcio, eu tinha começado a evitar novos laços por medo de voltar a perder alguém.
A funcionária perguntou:
— Ainda quer levar apenas um?
Olhei para os dois.
— Não. Vou levar os dois.
Horas depois, Max e Léo estavam juntos no meu sofá, finalmente tranquilos.
Naquela noite percebi que o apartamento já não parecia vazio.
Eu tinha ido ao abrigo pensando que iria salvar um gato.
Mas voltei para casa com dois irmãos que, sem saberem, também começaram a salvar-me.