Quando Daniel morreu num acidente, eu estava grávida de sete meses. Durante o funeral, esperei até ao último momento que o meu pai aparecesse.
Mas ele não veio.
Não falávamos há seis anos, desde que ele se recusara a aceitar o meu casamento.
Seis semanas depois nasceu Noah.
Poucos dias após regressar da maternidade, o meu pai apareceu à porta com uma pequena caixa de madeira.
Quando pegou no neto ao colo, começou a chorar.
— Eu e o Daniel fizemos as pazes — confessou. — Encontrávamo-nos todos os sábados há quatro meses.
Daniel tinha-o procurado depois de descobrir que eu estava grávida. Juntos, estavam a restaurar o berço onde eu própria dormira em bebé.
Foi então que o meu pai revelou por que não estivera no funeral: ao saber da morte de Daniel, sofreu um ataque cardíaco e acabou nos cuidados intensivos.
Dentro da caixa encontrei uma fotografia dos dois junto ao berço terminado e uma carta.
Daniel tinha escrito:
«Anna, quero que Noah cresça com a família que nós não conseguimos ter durante tantos anos. O teu pai arrepende-se. Se eu não estiver contigo, dá-lhe uma oportunidade.»
Olhei para o meu pai com Noah nos braços.
Depois de seis anos de silêncio, abracei-o.
Naquele momento percebi que a última coisa que Daniel me tinha deixado não era apenas uma carta.
Era a oportunidade de recuperar o meu pai.