Mikhail estava há quase doze horas com o recém-nascido ao colo quando uma enfermeira reparou numa velha pulseira de maternidade escondida debaixo do seu relógio.
Nela estava escrito: Natalia Volkov.
Era o nome da mãe desaparecida do bebé.
— Ela é minha filha — confessou Mikhail.
Dezassete anos antes, ele tinha abandonado Natalia para construir o seu império.
Agora, porém, Mikhail possuía um documento que provava que a jovem tinha sido seguida antes do parto.
O responsável era Konstantin, o homem em quem ele mais confiava.
A polícia foi até à morada indicada no documento e encontrou Natalia numa casa isolada.
Ela nunca tinha abandonado voluntariamente o filho.
Konstantin tinha-a obrigado a desaparecer para usar o bebé como forma de pressionar Mikhail.
Foi preso naquela noite.
Dias depois, Natalia regressou ao hospital.
Mikhail aproximou-se dela sem seguranças e sem desculpas.
— Falhei contigo quando eras bebé. Não quero repetir o mesmo erro com o teu filho.
Natalia ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois colocou o bebé nos braços dele.
Mikhail percebeu então que algumas coisas não podiam ser compradas.
Mas talvez ainda pudessem ser reconstruídas.