A 24 de julho de 2024, Joe Biden dirigiu-se aos americanos a partir da Sala Oval para explicar uma das decisões mais importantes da sua longa carreira política: desistir de procurar um segundo mandato presidencial.
Três dias antes, a 21 de julho, tinha anunciado oficialmente a retirada da corrida às eleições presidenciais de 2024, afirmando que se concentraria nas suas responsabilidades como presidente durante o restante mandato. Também declarou o seu apoio à vice-presidente Kamala Harris.
Sentado atrás da Resolute Desk, Biden pronunciou um discurso de cerca de onze minutos num ambiente particularmente pessoal. Na sala estavam a mulher, Jill Biden, os filhos Hunter e Ashley e vários dos seus netos.
O relatório oficial da imprensa descreveu a sua voz como muito baixa, por vezes difícil de ouvir a partir do fundo da sala.
No início da intervenção, Biden mencionou os retratos de vários antigos presidentes americanos que o rodeavam, entre eles Thomas Jefferson, George Washington, Abraham Lincoln e Franklin D. Roosevelt.
Depois pronunciou uma das frases que ficaram mais associadas àquela noite:
«Respeito profundamente este cargo, mas amo mais o meu país.»
«Passar a tocha a uma nova geração»
Biden afirmou que considerava que o seu desempenho como presidente lhe dava razões para procurar a reeleição, mas explicou ter chegado à conclusão de que o melhor caminho seria abrir espaço a uma nova geração de dirigentes.
Apresentou a decisão como uma escolha relacionada com aquilo que considerava ser o interesse do país e com a necessidade de procurar maior união num período político particularmente tenso.
Para Biden, aquele momento representava muito mais do que o fim de uma campanha eleitoral.
Tinha sido eleito pela primeira vez para o Senado dos Estados Unidos em 1972. Depois de décadas no Congresso, exerceu durante oito anos o cargo de vice-presidente de Barack Obama e, em janeiro de 2021, tornou-se o 46.º presidente dos Estados Unidos.
Ao abandonar a corrida, tornou-se o primeiro presidente americano em funções desde Lyndon B. Johnson, em 1968, a desistir de procurar a reeleição.
A promessa de terminar o mandato
Durante o discurso, Biden deixou claro que abandonar a campanha eleitoral não significava abandonar imediatamente a presidência.
Disse que dedicaria os meses restantes do mandato a questões como a economia, os direitos civis, as alianças internacionais, o apoio à Ucrânia, os esforços relacionados com a guerra em Gaza e propostas de reforma do Supremo Tribunal.
Biden permaneceu presidente até 20 de janeiro de 2025, quando terminou o seu mandato.
Um momento decisivo numa carreira de mais de meio século
Perto do final do discurso, Biden recordou também o seu percurso pessoal, mencionando as suas origens em Scranton, na Pensilvânia, e em Claymont, no Delaware, e o longo caminho que o levou até à Sala Oval.
Falou ainda dos mais de cinquenta anos que dedicou ao serviço público e agradeceu aos americanos a confiança e o apoio recebidos ao longo da sua carreira.
Quando terminou de falar, os familiares e membros da equipa presentes na sala aplaudiram. Jill Biden aproximou-se então da secretária presidencial enquanto o marido agradecia às pessoas que o acompanhavam.
O discurso de 24 de julho de 2024 não marcou o fim da presidência de Joe Biden.
Mas marcou o encerramento da sua última campanha presidencial e o início do capítulo final de uma carreira política nacional que tinha começado mais de cinco décadas antes.